A Terra gira ao redor de si mesma a inacreditáveis quatrocentos e sessenta e cinco metros por segundo. Isso dá mais de mil e seiscentos quilômetros por hora, uma velocidade tão absurda que é difícil visualizar qualquer coisa se movendo a mil e seiscentos quilômetros por hora, que dirá uma gigantesca elipse feita de água e rocha.

Se alguém colocasse uma barra de ferro no aro da bicicleta da Terra enquanto ela pedala a todos esses quilômetros horários, seria o fim. Parar a rotação do planeta de forma súbita arremessaria todo mundo na direção leste a velocidades não-sobrevivíveis. Não que faça muita diferença, já que o mundo se tornaria um combo de incêndios, tsunamis e furacões, pelo menos enquanto o sol não pulverizasse toda a superfície – com o núcleo do planeta parado, o campo magnético que nos protege da estrela mais próxima iria pro espaço.

A intensidade desse cenário devastador parece adequada se pensarmos na situação oposta, naqueles momentos onde algo acontece e a gente só quer que tudo permaneça estático por pelo menos alguns segundos enquanto tentamos manter os pés no chão e o mundo vem e nos atropela a mil e seiscentos quilômetros por hora.

E de repente a gente descobre que se passaram dez anos e que nós não paramos pelo mesmo motivo que a Terra nunca vai parar: não haveria como sobreviver.