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Vale a Pena Fazer de Novo #3 | O Pagamento

Recapitulando: a ideia dessa série é resgatar das trevas boas propostas cinematográficas que foram aniquiladas por estúdios/cineastas dementes. O pontapé inicial foi sobre 300 e a saga continuou com o inexplicável A Liga Extraordinária.

O Pagamento

(Paychek, John Woo, 2003)

Qual é a moral?
Um engenheiro aceita um contrato de 2 anos para trabalhar em um projeto onde, ao final, ele terá sua memória relacionada a esses 2 anos apagada para não revelar dados importantes (imaginem a maior ressaca de Tequila do mundo). Entretanto, ao tentar recolher o pagamento, ele descobre não só que renunciou ao dinheiro, mas também que os itens pessoais que havia guardado foram alterados. Como desgraça nunca vem sozinha, o FBI ainda resolve perseguir o fulano por traição – provavelmente porque eles têm um orçamento anual dedicado à “traição” e precisam gastar a verba -, obrigando o tal engenheiro a resolver o mistério enquanto foge em câmera lenta dos agentes em seu encalço.

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Vale a Pena Fazer de Novo #2 | A Liga Extraordinária

Recapitulando: a ideia dessa série é resgatar das trevas boas propostas cinematográficas que foram aniquiladas por estúdios/cineastas dementes. O pontapé inicial foi sobre 300.

A Liga Extraordinária

(The League of Extraordinary Gentleman, Stephen Norrington, 2003)

Qual é a moral?
É a Liga da Justiça intelectual. Para impedir a ameaça de um misterioso inimigo chamado de O Fantasma, o aventureiro Allan Quatermain (As Minas do Rei Salomão) reúne um grupo de personagens de clássicos britânicos, incluindo Mina Harker (Drácula, de Bram Stoker), Capitão Nemo (20.000 Léguas Submarinas), Dr. Jekyll/Mr. Hyde (O Médico e o Monstro), Rodney Skinner (O Homem Invisível – com um nome diferente por problemas de direitos autorais), Dorian Grey (O Retrato de Dorian Grey) e Tom Sawyer (As Aventuras de Tom Sawyer. Que não é um clássico britânico, mas está lá porque o patriotismo americano não tem limites (do ridículo)).

O que deu errado?
De forma bem concisa, podemos dizer que: tudo. The Legue of Extraordinary Gentleman é um tratado impecável sobre cair de cara no chão, fracassando miseravelmente desde os CGIs caricaturais até a maquiagem vilipendiosa, desde a trama inconsistente e metralhada de furos até os diálogos de biscoito da sorte, desde as cenas de ação narcolépticas até desenlaces catastróficos. É tanta coisa reunida de forma tão errada que devem ter igrejas por aí encarando o filme como um sinal da chegada do próximo anticristo.

Mas por que outra chance?
Porque é uma ideia brilhante, daquelas que gritam “clear!” e colocam o desfibrilador no peito da criatividade para reanimar ela. As graphic novels que o filme adapta (risos) são simplesmente geniais, tornando as personagens tridimensionais ao manter todo mundo de acordo com as personalidades, crenças e motivações dos livros de onde saíram – sem esquecer de construir uma trama repleta de reviravoltas, onde o mistério resulta em desfechos intensos e surpreendentes. Além disso, humor britânico.

Vale a Pena Fazer de Novo #1: 300

A ideia dessa série é a) finalmente bater o recorde de “série com mais de uma postagem no blog” e b) trazer produções que, ao contrário da maioria dos remakes, realmente mereciam uma nova chance na telona.

300

(idem, Zack Snyder, 2006)

Qual é a moral?
Xerxes, rei da Pérsia e uma versão medieval do garoto dono da bola que exige que todos passem para ele ou não tem jogo, chega até a Grécia e gentilmente pede a submissão dos gregos. Lêonidas, rei de Esparta e o rei da birra, diz que não e leva sua guarda de 300 soldados até o desfiladeiro das Termópilas, onde a superioridade numérica do contingente persa não vale nada porque os caminhos são estreitos e as lutas são em câmera lenta.


O que deu errado?
300 é menos uma história e mais um conjunto de cenas que foram feitas para aparecer no trailer. É um desfile de soluções fáceis, eventos óbvios, diálogos tão explícitos que talvez o MLB tente censurá-los em algum momento, atuações sofríveis, coreografias monótonas, trilha completamente deslocada, masturbação de câmera lenta, mise-en-scène derrotada, decupagem patética. Até a narração em off consegue chafurdar na lama do fracasso (não só o texto, mas também a produção em si da voz), fazendo com que o filme atinja novos níveis de demência. Salva-se de leve a fotografia, e olha que ela não conta porque foi simplesmente escaneada da graphic novel que o filme adapta (risos).


Mas por que outra chance?
Porque 300 de Esparta, a graphic novel que deu origem ao filme, é uma obra brilhante. Envolvente. Cinematográfica, apesar de tudo que a produção cinematográfica fez para mostrar o contrário. Qualquer diretor minimamente alfabetizado em histórias tira dali um daqueles filmes épicos que fazem o espectador sair do cinema querendo comprar uma espada. Repleta de momentos inesquecíveis, personagens interessantes e uma cuidadosa construção de clímax (em certos momentos, dá para sentir o vento soprando nos desfiladeiros), a graphic novel merece uma versão cinematográfica à altura. É um crime deixar tal obra à mercê da paródia anêmica que a Warner Bros. nos empurrou goela abaixo.

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