A ideia dessa série, que provavelmente vai se esfacelar com o tempo igual a outras (p.ex.: Crônicas da Wikipédia), é pegar alguns diálogos certeiros de filmes e espremer eles até sair uma quantidade boa de suco de significados.

Começando com A Rede Social porque, bem, é A Rede Social, e porque aquele diálogo inicial onde Mark e Erica conversam sobre os clubes de Harvard revela muito do que virá:

– Qual é o (clube) mais fácil de entrar?
– Por que você me perguntaria isso?
– Só estou perguntando.
– Nenhum deles. Esse é o ponto. Meu amigo Eduardo ganhou 300 mil dólares apostando na previsão do petróleo em um verão e ele não vai chegar perto de entrar. E a habilidade de ganhar dinheiro não impressiona ninguém aqui.
– Deve ser legal. Ele ganhou 300 mil dólares em um verão?
– Ele gosta de meteorologia.
– Você disse previsão do petróleo.
– Se você consegue prever o tempo, consegue prever o preço do petróleo.

Em um diálogo rápido e divertido, o filme consegue:

  1. Estabelecer a dificuldade de fazer parte dos clubes (qualquer instituição que não se impressiona com 300 mil não vai se impressionar com qualquer coisinha).
  2. Estabelecer a importância dos clubes através dessa dificuldade (é a elite da elite da elite. Como se a Liga da Justiça só deixasse Batmans passarem pelo critério de corte).
  3. Ilustrar o raciocínio avançado do Mark Zuckerberg (pra ele a associação entre petróleo e meteorologia é óbvia).
  4. Determinar que o Eduardo tem uma bela bolada à disposição (assim, quando ele precisa investir 20 mil em servidores, não ficamos nos perguntando de onde veio esse dinheiro).
  5. Apresentar o Eduardo como amigo do Mark E sugerir que é o único/o mais importante (é “meu amigo Eduardo”, e não “um amigo meu, Eduardo”).
  6. Entreter e divertir.

Tudo isso em menos de 30 segundos. Aaron Sorkin humilhando a seita empresarial em termos de otimização.