Melhor que Nada - Página 2 de 164 - Ou pior que tudo

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Crítica | Dunkirk tira coelhos grandiosos da cartola

Christopher Nolan é um rebelde. Na época de ouro do streaming, quando ficar em casa vendo séries no Netflix é não só aceitável como cool, o diretor aparece e despeja uma proza técnica tão colossal que jamais deveria ser lançada fora dos cinemas, pois qualquer tela caseira que tenha a ousadia de abrigar o filme provavelmente vai acabar explodindo.

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Crítica | Em Ritmo de Fuga é um filme de encher os olhos (e os ouvidos).

O cinema é uma mídia visual. É sempre melhor mostrar as coisas do que informar as coisas. Por exemplo: se o personagem X falar que o protagonista é o motorista mais insano que já apareceu no universo, o espectador vai receber a informação sem que ela tenha um grande impacto; agora, se trocar o diálogo pela sequência inicial de Em Ritmo de Fuga (Baby Driver), o protagonista pode aparecer depois CAVALGANDO UM CARRO e o espectador vai aceitar a situação perfeitamente.

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Uma conversa com o histórico de navegação

– Olá.
– Quem é?
– É o seu histórico de navegação.
– Ah. Que merda.
– A propósito, “merda” foi o termo que você mais buscou ontem.
– Sim e você pode colocar isso na conta de um croquete que comi na rodoviária.
– Precisamos conversar.
– Não precisamos não.
– O que exatamente você estava pensando quand–
– Psst. Aqui não. Deixa eu ir até o banheiro da firma antes.
– Por falar nisso, você está pensando em remodelar o banheiro de casa? Andou vendo muitos sites com projetos novos.
– Novamente o croquete da rodoviária.
– Entendi. Bem, eu queria falar sobr–
– Eu sei sobre o que você quer falar.
– Por que você fez aquilo?
– Fiquei entediado com a pornografia e quis me distrair.
– Não ficou não. Você acessou seiosmeteoricos.com.br treze vezes depois.
– Hã, foi pra uma pesquisa da faculdade.
– Não foi não. Você não acessa o site da faculdade desde o Windows Vista.
– Mas que saco.
– Então, eu só quero saber por que você f–
– Espera aí. Como você sabe disso? Não era pra você saber.
– Eu sou seu histórico, cara. Eu sei até quantas vezes você viu vídeos de pagode dos anos 90 no YouTube.
– Sim, mas isso era pra ser segredo até pra você. Não era?
– Você abriu mão de todos os segredos quando viu aquela janelinha cheia de texto legal e clicou em “eu aceito”.
– Que merda. Eu achava que o lance da Deep Web não aparecia no histórico.
– Deep Web?
– Sim.
– Rapaz o que você estava fazendo na Deep Web?!
– Mas eu achei que você soubesse!
– A Deep Web sequer é acessada pelo navegador, seu croquete de rodoviária. Você sabe disso! Você já buscou “como acessar a Deep Web”!
– Mas–mas se não é da minha ida à Deep Web, então do que você está falando?
– Do Ashley Madison!
– O quê?
– Ashley Madison. O maior site de traição do mundo.
– Tá de brincadeira, né?
– Já falei que não há segredos entre nós. Ou você acha que não percebi os sites de entrega de flores, os acessos ao perfil da Renata no Facebook, as compras de dois ingressos para o cinema e para o teatro, viagens para dois, metade da fatura do cartão de crédito gasta no motel?
– Eu não estou dizendo que o lance com a Renata não é sério. Estou dizendo que o lance do Ashley Madison é esquizofrenia da sua parte.
– Você acessou o Ashley Madison ontem. Claramente está pensando em trair a Renata. Seja homem e termine antes!
– Eu não acessei esse troço.
– Acessou sim.
– Mas que bosta. Já falei que não.
– Não adianta mentir. Tá registrado aqui que você acessou o Ashley Madison ontem mesmo às seis e vinte e sete da noite.
– O quê? Ontem pelas seis e meia eu ainda estava em reunião no trabalho. Cheguei em casa pós-hora do rush.
– Ué. Tem certeza? Que estranho. Por aqui que diz que o site foi acessado do seu notebook nesse horário.
– Sabe de uma coisa?
– O quê?
– A Renata estava aqui ontem de tarde.
– …
– …
seiosmeteoricos.com.br?
– Por favor.

Diálogos em Chamas #1 – A Rede Social

A ideia dessa série, que provavelmente vai se esfacelar com o tempo igual a outras (p.ex.: Crônicas da Wikipédia), é pegar alguns diálogos certeiros de filmes e espremer eles até sair uma quantidade boa de suco de significados.

Começando com A Rede Social porque, bem, é A Rede Social, e porque aquele diálogo inicial onde Mark e Erica conversam sobre os clubes de Harvard revela muito do que virá:

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Gramado eleito o pior em campo

Há tempos eu não via o Grêmio jogar dentro de um estádio que fica em cima de uma falha tectônica. O combo chuva + frio + gramado tratado à base de festas rave fez com que o tricolor enfrentasse o Godoy Cruz no que deve ser a atmosfera encontrada em Plutão. Mesmo um ato simples como parar de correr exigia que os jogadores aprendessem movimentos novos, e a percepção geral era a de que a partida acontecia naquela cena de A Origem onde Christopher Nolan transforma Paris em um cubo mágico. Diante de tal cenário, é uma surpresa feliz que o chute do Ramiro aos quarenta segundos de jogo não tenha sido subitamente interrompido por alguma erupção vulcânica. O típico gol de sorte.

As verdadeiras estatísticas do futebol

Há uma inexplicável tara por estatísticas no universo futebolístico. Ainda que úteis, esses números de passes, assistências, chutes a gol, posse de bola, tempo de bola, mapa de calor, finalizações e tantos outros não são absolutos, podendo ser alvejados no coração pelo arpão do contexto. Como qualquer obra de arte, o futebol é subjetivo, e, portanto, não são os números que vão convencer o seu pai de que jogar com oito volantes e dois zagueiros é contraprodutivo.

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Na batida da gaita de foles

Dia desses fui em um evento chamado Festim Pagão. Durante duas horas, uma banda de música celta (apropriadamente chamada Bando Celta), precedida por apresentações de dança (medieval? Do ventre? É aquele tipo de dança que poderia abrir uma cena de um filme ambientado na idade média, mostrando depois o resto da celebração e cortando para dois personagens discutindo alguma questão importante da história enquanto comem com as mãos) e chope criaram um ambiente de pura animação.

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A espécie mais maligna do mundo

Há alguns dias eu estava com uma intoxicação alimentar. Uma daquelas chamativas, sabe, o tipo de intoxicação que eventualmente aparece em comédias adolescentes preguiçosas. Chegou a me dar febre alta, e, talvez por timidez, o sintoma chegou de mãos dadas cm uma gripe forte (a partir das dez da noite eu só me comunicava através de fungadas). Mas tudo isso empalidecia diante de uma misteriosa dor na mandíbula que desferia jabs poderosos a bel-prazer, como se fosse uma luta de boxe entre um urso e o Michael Cera.

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Os bares dos escritores

Como Porto Alegre tem um bar inspirado em Charles Bukowski, decidi levar a ideia adiante e elaborar como seriam os bares inspirados em outros escritores:

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Um faixa a faixa inusitado do novo disco do Mark Lanegan

Mark Lanegan lançou um belo disco no final de abril. Pensei em fazer um faixa a faixa de Gargoyle, ou escrever a respeito, mas acho que gente com mais conhecimento que eu já está fazendo isso.

Então surgiu a ideia de um faixa a faixa diferente: já que o Lanegan tem doutorado em criar climão, em vez de escrever sobre as músicas, escrevi sobre o que imaginava enquanto ouvia elas. Não é pra ser uma interpretação das canções, nem uma adaptação das letras, só o que passou pela cabeça.

Coloquei cada música antes de seu respectivo texto. Não é obrigatório, mas acho que a leitura fica mais legal com a trilha.

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