De acordo com essa fonte inquestionável chamada internet, Yellow Ledbetter é a música mais tocada pelo Pearl Jam na hora de encerrar shows (quase o dobro da segunda colocada, Rockin’ in the Free World). A canção é lado B do single de Jeremy, essa sim um arrasa-quarteirão que deixou a grunjarada em polvorosa lá no início dos anos 90, e a ausência de Yellow Ledbetter no Ten é uma daquelas demências inexplicáveis, principalmente quanto tínhamos a pavorosa Why Go e a desnecessária Garden.

É curioso que um lado B seja não só tocado à moda bastantão, mas também tão amado por grande parte dos fãs, inclusive 100% da equipe que escreve no Melhor Que Nada. Yellow Ledbetter é daquelas canções que têm um início marcante, um verso cativante e um refrão apoteótico, do tipo que se canta com os braços abertos e diminuindo a capacidade de respiração em 80%. Quando o Mike McCready solta aquele riff em mí que assina o início da música, geralmente com todas as luzes do recinto já acesas, é quando os receptores de dopamina se refestelam com um buffet a perder de vista.

Entretanto, a verdade nunca falha em dar uma rasteira nos incautos. Sim, Yellow Ledbetter é uma das melhores canções do Pearl Jam. Mas também é (praticamente) sempre a última do show. Quando o Mike McCready solta aquele riff em mí que assina o início da música, o sinal do recreio está prestes a bater para mandar todo mundo de volta à rotina, o aviso de um minuto para o fim da dose dupla chegou, é o começo do fim. Restam apenas um estoque de três minutos e alguma coisa¹ daquele alucinógeno que apenas um show de música consegue despejar na corrente sanguínea. Última chamada para embarcar no trem em direção à rotina.

Assim, Yellow Ledbetter se junta ao mesmo time de doar sangue, comer salada, ir em almoço de família, fazer matrícula na academia, torcer por uma equipe de futebol, andar de avião, viajar para o litoral no carnaval e quebrar o controle do videogame no chão jogando FIFA: é bom mas é ruim.

¹A exceção é o Lollapalooza 2018 em São Paulo, onde a música foi esquartejada porque o tempo estava acabando.