Na hora foi até meio difícil de entender direito. O Edílson levantou na área uma bola cuja trajetória era digna de problema na prova de física, certo?, e daí o Jael pegou esse carvão e transformou em um diamante para o Cícero, que por sua vez meio que bateu forte pro chão pra tirar do goleiro, mas a bola acabou ricocheteando nele, o que não impediu ela de seguir em direção às redes porque a física mecânica é linda. Fica até meio difícil de acreditar. Não é possível que aquela bola despretensiosa do Edílson, quase lá no meio de campo, acabe resultando em gol. Não é possível que Jael, que divide comigo o mesmo número de gols feitos pelo time profissional do Grêmio, tenha aniquilado a defesa Lanústica com uma assistência de cabeça magistral. Não é possível que Cícero, cuja participação como centroavante no jogo anterior havia sido a antítese de epilepsia, tenha incorporado o arquétipo definitivo do centroavante. Não é possível que tanta coisa tenha funcionado na hora certa, principalmente quando nada mais parecia funcionar. Não é possível que uma bola dessas tenha salvado o jogo. Não é possível que o Grêmio, até ontem caminhando em vão por ruas de tráfico à procura de uma dose acachapante de título, esteja correndo em direção ao tricampeonato da Libertadores. Mas foi. E talvez seja.