Há uma inexplicável tara por estatísticas no universo futebolístico. Ainda que úteis, esses números de passes, assistências, chutes a gol, posse de bola, tempo de bola, mapa de calor, finalizações e tantos outros não são absolutos, podendo ser alvejados no coração pelo arpão do contexto. Como qualquer obra de arte, o futebol é subjetivo, e, portanto, não são os números que vão convencer o seu pai de que jogar com oito volantes e dois zagueiros é contraprodutivo.

Entretanto, existe um campo de estatísticas inexplorado pela ciência. Estatísticas realmente relevantes, realmente capazes de determinar porque um time perdeu e outro ganhou. Estatísticas que englobam mais do que a matemática do jogo: englobam toda a magia que acontece dentro de um campo de futebol.

São elas: a roupa que você usava quando seu time ganhou ou perdeu; o lugar no estádio (ou no sofá) onde você sentou; a cerveja que você tomou; a expectativa da mídia em cima da equipe; o uniforme utilizado pelo time; o comportamento da torcida; e por aí vai.

Claro, você vai fazer o que o mundo cínico ensina a todos e descartar essa ideia como “superstição” ou “bobagem” ou até mesmo “final de LOST”. Mas só porque não conhecemos os meios pelos quais as coisas acontecem, não quer dizer que não aconteçam. Tudo que ainda é desconhecido soa um pouco como magia, e se há uma adjetivo pertinente ao futebol, este adjetivo é “mágico”. Todo torcedor de futebol está automaticamente à frente da ciência.

Assim, o título da Alemanha na Copa das Confederações traz junto uma dose de favoritismo artificial para a Copa de 2018, pois, além do primeiro lugar, a seleção ganhou os quatro jogos, marcou onze gols (melhor ataque) e possui os dois artilheiros da competição. Mas o torcedor que realmente entende de futebol sabe que é mais importante olhar para outros números: as conquistas brasileiras (1997, 2005, 2009 e 2013), francesas (2001 e 2003) e derrotas brasileiras (2001).

Analistas vão despejar estatísticas grandiosas sobre a equipe alemã ao longo dos próximos meses, e muitas delas serão realmente úteis para saber o que diabos os alemães fazem quando estão em campo. Entretanto, só o que precisamos saber é que, ao ganhar a Copa das Confederações de 2017, a Alemanha perdeu a Copa do Mundo de 2018.