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Category: Peliculosidade (page 1 of 21)

Vale a Pena Fazer de Novo #1: 300

A ideia dessa série é a) finalmente bater o recorde de “série com mais de uma postagem no blog” e b) trazer produções que, ao contrário da maioria dos remakes, realmente mereciam uma nova chance na telona.

300

(idem, Zack Snyder, 2006)

Qual é a moral?
Xerxes, rei da Pérsia e uma versão medieval do garoto dono da bola que exige que todos passem para ele ou não tem jogo, chega até a Grécia e gentilmente pede a submissão dos gregos. Lêonidas, rei de Esparta e o rei da birra, diz que não e leva sua guarda de 300 soldados até o desfiladeiro das Termópilas, onde a superioridade numérica do contingente persa não vale nada porque os caminhos são estreitos e as lutas são em câmera lenta.


O que deu errado?
300 é menos uma história e mais um conjunto de cenas que foram feitas para aparecer no trailer. É um desfile de soluções fáceis, eventos óbvios, diálogos tão explícitos que talvez o MLB tente censurá-los em algum momento, atuações sofríveis, coreografias monótonas, trilha completamente deslocada, masturbação de câmera lenta, mise-en-scène derrotada, decupagem patética. Até a narração em off consegue chafurdar na lama do fracasso (não só o texto, mas também a produção em si da voz), fazendo com que o filme atinja novos níveis de demência. Salva-se de leve a fotografia, e olha que ela não conta porque foi simplesmente escaneada da graphic novel que o filme adapta (risos).


Mas por que outra chance?
Porque 300 de Esparta, a graphic novel que deu origem ao filme, é uma obra brilhante. Envolvente. Cinematográfica, apesar de tudo que a produção cinematográfica fez para mostrar o contrário. Qualquer diretor minimamente alfabetizado em histórias tira dali um daqueles filmes épicos que fazem o espectador sair do cinema querendo comprar uma espada. Repleta de momentos inesquecíveis, personagens interessantes e uma cuidadosa construção de clímax (em certos momentos, dá para sentir o vento soprando nos desfiladeiros), a graphic novel merece uma versão cinematográfica à altura. É um crime deixar tal obra à mercê da paródia anêmica que a Warner Bros. nos empurrou goela abaixo.

Crítica | Dunkirk tira coelhos grandiosos da cartola

Christopher Nolan é um rebelde. Na época de ouro do streaming, quando ficar em casa vendo séries no Netflix é não só aceitável como cool, o diretor aparece e despeja uma proza técnica tão colossal que jamais deveria ser lançada fora dos cinemas, pois qualquer tela caseira que tenha a ousadia de abrigar o filme provavelmente vai acabar explodindo.

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Crítica | Em Ritmo de Fuga é um filme de encher os olhos (e os ouvidos).

O cinema é uma mídia visual. É sempre melhor mostrar as coisas do que informar as coisas. Por exemplo: se o personagem X falar que o protagonista é o motorista mais insano que já apareceu no universo, o espectador vai receber a informação sem que ela tenha um grande impacto; agora, se trocar o diálogo pela sequência inicial de Em Ritmo de Fuga (Baby Driver), o protagonista pode aparecer depois CAVALGANDO UM CARRO e o espectador vai aceitar a situação perfeitamente.

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Diálogos em Chamas #1 – A Rede Social

A ideia dessa série, que provavelmente vai se esfacelar com o tempo igual a outras (p.ex.: Crônicas da Wikipédia), é pegar alguns diálogos certeiros de filmes e espremer eles até sair uma quantidade boa de suco de significados.

Começando com A Rede Social porque, bem, é A Rede Social, e porque aquele diálogo inicial onde Mark e Erica conversam sobre os clubes de Harvard revela muito do que virá:

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Trailer da Liga da Justiça DEBULHADO

Há duas semanas, a Warner Bros lançou o trailer do esperado, aguardado, antecipado, desejado, almejado e ansiado filme da Liga da Justiça, que estreia ainda em 2017. Passei esse tempo todo debruçado sobre o vídeo, catando as referências e pistas ocultas que o diretor Zack Snyder escondeu nesses dois minutos e trinta e dois segundos, e entrego aqui para vocês o relatório DEFINITIVO sobre o trailer (recomendo assistir primeiro):

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Edição Frenética #4

Pergunte-me Tudo

pergunte me tudo

É uma daquelas comédias dramáticas que acabam não sendo nem comédia nem drama, até trazendo em cena assuntos cômicos e dramáticos interessantes, mas sem conseguir evoluir os tópicos para torná-los genuinamente engraçados ou dramáticos, o que não deixa de ser engraçado (ou dramático). nota 3 Leia Mais

Edição Frenética #3

Descompensada

filme descompensada

Direção: Judd Apatow

Como a maioria dos filmes do Judd Apatow, Descompensada foi mergulhada no potinho de agradável cinismo adulto antes de ir ao forno. Segue a premissa meio padrão de comédias românticas, mas Apatow consegue levar as coisas um pouco mais longe, seja ao se aproximar mais de sua intensa protagonista, seja ao mostrar ela vomitando em uma sala de cirurgia. Se estivesse no Netflix, certamente teria uma tag do tipo “Diversões melancólicas e otimistas” – embora “LeBron James em chamas” ou “boomshakalaka” fossem mais pertinentes. nota 4 Leia Mais

Crítica | Capitão América: Guerra Civil finalmente traz um tempero à Marvel

[crítica SEM spoilers. Leia aos goles] Cansados de ver as incursões dos Vingadores resultarem em tragédias como destruição, mortes e A Era de Ultron, os governos do mundo, possivelmente mancomunados com Zack Snyder e a DC/Warner, decidem criar um acordo para supervisionar as ações dos marvetes (só os heróis, e não os fãs, infelizmente). O Capitão América decide ir contra a iniciativa porque bros before govs, mas Tony Stark resolve apoiar o governo e daí, tal qual os trinta minutos que precedem uma partida de futebol no fim de semana, cada um tenta angariar simpatizantes para o seu lado antes do início da contenda.

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Crítica | O sensacional Star Wars: O Despertar da Força

A galáxia continua em conflito. A Resistência tenta sobrepujar a poderosa Primeira Ordem, spin-off do império que busca tomar conta de tudo como se fosse a sua mãe quando visita sua casa. No meio da balbúrdia, um stormtrooper com crise de consciência encontra um dróide e uma mina bastante agitada e determinada e um mapa e todos partem para encontrar Luke Skywalker, mas a confusão é que acaba encontrando eles.

Quando o logo de Star Wars apareceu na tela ornamentado pela trilha sobre-humana de John Williams, a sala inteira começou a aplaudir. Há muito mais em Star Wars: O Despertar da Força do que apenas um filme: é o retorno de um ícone pop tão poderoso que quase dá para colocar ele como parte do inconsciente coletivo, junto de coisas como o medo da morte e a irritação ao jogar FIFA. A produção de J.J. Abrams traz consigo toda uma mitologia indissociável do filme que meio que deixa todo mundo na ponta dos pés com relação a qualquer evento que possa/deva/quemsabeirá acontecer – e é absolutamente incrível que O Despertar da Força faz jus à toda essa expectativa e consiga também se destacar como obra individual.

A relação da cultura pop com redor de Star Wars, aliás, provavelmente foi um dos pilares da construção do novo filme, pois é impossível ver a deserção de Finn e não pensar em todas aquelas contas do Instagram e vídeos mostrando o dia-a-dia dos stormtroppers, que antes disso realizavam nos filmes de ficção científica o mesmo papel que garrafas vazias nos filmes de faroeste ( = tomar tiro). E Finn é um dos destaques de O Despertar da Força, pois a película investe tempo para nos apresentar a uma personagem obviamente em conflito (fugindo de algo que foi sua única vida), irreverente e que injeta doses maciças de humor e aventura na tela (graças também ao carisma gigantesco de John Boyega). A química que o rapaz tem com Rey é uma daquelas coisas forjadas no fogo da vitória, e, na verdade, O Despertar da Força pode deitar na cama de noite sabendo que a nova geração (pode citar Star Trek aqui?) foi devidamente apresentada (o longa passa boa parte do tempo acompanhando as agruras de Finn, Rey, BB-8 e até Cameron Poe), devidamente estabelecida, devidamente construída e devidamente assimilada pelo universo da saga. Vulnerabilidade e humor são dois grandes recursos para desenvolver a cumplicidade entre duas personagens, e ao longo do primeiro ato do filme vemos Finn e Rey correndo, discutindo, falando de forma histérica e quase sendo explodidos com BB-8 ao lado.

kylo ren sw

E que grande personagem é Rey, esse combo brutal de intensidade, beleza e sotaque inglês. Assume com naturalidade a posição de protagonista da história e despeja força na narrativa sempre que está em cena, além de conquistar o público com sua simplicidade – e a moça também possui bem conflitos definidos, assim como o resto do pessoal mais novo (Kylo Ren é tipo o zênite disso, já que sua incerteza provoca uma das cenas mais bem construídas e chocantes de toda a saga. Deviam ter máscaras de oxigênio no cinema para momentos assim, tipo em aviões). Essa tridimensionalidade, ainda que superficial, ajuda a galera a se envolver com os novatos e prepara o terreno para o mergulho em um hiperespaço de aventura e diversão. Porque Star Wars continua sendo uma aventura, e J. J. Abrams não se faz de rogado e tira a trava de segurança e utiliza o orçamento para mostrar diversas vezes naves atirando contra naves e explodindo naves, o que é o uso mais correto possível de um orçamento. Apostando em planos longos, Abrams consegue criar sequências envolventes onde ataques de naves e batalhas no solo interagem em coreografias pensadas para fazer as pessoas erguerem os braços e gritarem “é isso aí!” (destaque para a contenda que acontece no bar/depósito daquela personagem que é tipo um peixe motociclista, onde o confronto entre a galera motorizada e a galera a pé é tão real e impactante quanto qualquer ressaca). Há até uma referência a Apocalypse Now e uma relação da Primeira Ordem com o nazismo (incluindo a saudação) que, de tão orgânicas e pertinentes, chegam a dar uma pontinha de orgulho.

O diretor também semeia a felicidade no coração das pessoas ao manter algumas soluções visuais que são características da série, como as transições ou aquele travelling lateral que acompanha a Millenium Falcon enquanto esta entra e sai do primeiro plano ao se desviar de obstáculos. Dentro desse aspecto nostálgico, claro, a aparição de personagens como Han, Chewie, Leia, C3P0 e R2D2 provoca convulsões – e o grande destaque vai para o primeiro, que, armado com o timing cômico mau-humorado e o carisma nuclear de Harrison Ford, é responsável por alguns dos melhores momentos do longa (“Sai, bola“, “Escapar agora, abraçar depois“, “Mulheres sempre descobrem a verdade“). Após uma saudade de 30 anos, mesmo o mais cético dos espectadores vai sentir o coração batendo mais rápido quando houver a expectativa de alguém da trilogia original dar as caras.

han e chewie

Infelizmente essa reverência à sua própria mitologia acaba puxando o tapete da película, que expande muito pouco o universo da saga (com exceção dos polvos anabolizados da nave de Han e Chewie, quase nenhuma criatura ou paisagem é particularmente original) e repete as mesmas fórmulas e estruturas da trilogia original – O Retorno de Jedi mostrou um final feliz, mas os rebeldes continuam sendo os azarões, Leia continua sendo o quarterback deles, a nova arma é uma Estrela da Morte entupida de creatina, as estratégias de ataque são mais ou menos as mesmas. Não chega a atrapalhar a fluidez da história, só que é algo que fica cutucando o espectador nas costas e provocando um certo estranhamento. Se por um lado é bom ter algo que traga a familiaridade à mesa, por outro o excesso de familiaridade deixa certos momentos ligeiramente maçantes (além de previsíveis, claro).

Apenas sobreviver ao hype aniquilador já seria um feito e tanto para o novo Star Wars. Superar as expectativas, então, e largar para todo mundo um filme (até certo ponto) renovado, ágil, que reúne humor genuinamente engraçado (“você precisa de um piloto?“) e aventura genuinamente empolgante, que apresenta uma galeria de personagens tão complexa quanto envolvente (a cativante Rey; o carismático Finn; o complexado Kylo Ren; o (muito) expressivo e (seminalmente) divertido BB-8), que é de fato um início interessante para uma nova história, é um feito digno de medalha olímpica. Há um momento onde Han reencontra a Millenium Falcon após alguns anos (ou décadas) de separação. E a expressão maravilhada que toma conta do rosto dele durante o reencontra com sua companheira de viagens é a mesma presente em cada uma daquelas pessoas que, ao reencontrar aquele universo tão querido, aplaudiu com vontade quando “Star Wars” apareceu na tela.

star wars force awakens

Crítica | 007 Contra SPECTRE

Em 007 Contra Spectre, James Bond aproveita a onda do freelancerismo e, longe dos olhos do MI-6, vai atrás de uma organização com tentáculos pelo mundo todo e cujo símbolo é um polvo, porque sutileza é uma arte perdida, descobrindo assim mais sobre seu misterioso passado – enquanto isso, M, Q, Moneypenny e outras letras vivem às voltas com uma crítica à NSA em Londres.

Tudo indica que 007 Contra Spectre será a despedida de Daniel Craig (e talvez até do diretor Sam Mendes) das historinhas do espião: a produção meio que encerra as histórias iniciadas em Casino Royale (todos fiquem de pé), trazendo à tona algumas personagens e oferecendo uma nova luz a diferentes eventos (até mesmo a vinheta de introdução soa como uma retrospectiva, desde que retrospectivas tenham uma péssima canção acompanhando). O lado bom é que o filme é eficiente, divertido e tem boas cenas de ação. O lado ruim é que ele fica bem aquém do nível alcançado anteriormente no supracitado Casino Royale ou no também brilhante Skyfall.

O início da produção despeja Red Bull goela abaixo dos espectadores com um plano sequência sensacional, que vai do que provavelmente é a maior concentração de tequila do mundo até Bond pulando por cima de telhados, com tradicionais explosões e lutas tensas após o inevitável corte. E no geral a ação se mantém em bom nível até o final, com 007 Contra Spectre aproveitando os cenários para dar personalidade às contendas (a perseguição nas ruas apertadas de Roma, a claustrofóbica luta no trem) e procurando pelo menos fugir do óbvio (um avião perseguindo USVs na neve). Não chega a ser um The Raid da vida, mas entretém e a pancadaria nunca soa repetitiva.

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Da mesma forma, as intervenções humorísticas conseguem ser genuinamente engraçadas, seja metralhando one-liners brutais (“Ela não ia deixar a morte atrapalhar seu trabalho“, “Diz as horas“, “Era isso ou o sacerdócio“) ou investindo em gags físicas surpreendentes (uma palavra aqui: sofá). O elenco tem um timing cômico bom e Daniel Craig, principalmente, sabe se fazer de DESENTENDIDO quando dispara algumas pérolas. Entretanto, é uma pena que a preocupação do roteiro fique apenas nas piadinhas: a trama em geral é apressada, retomando momentos dos filmes anteriores apenas para constar, já que tais momentos nunca são elaborados – como uma fita com um certo interrogatório. Aliás, 007 Contra Spectre até consegue criar suspense e mistério em torno do vilão, mas desperdiça tudo isso em uma sequência feita meio de qualquer jeito, com uma reviravolta novelesca e sem um átomo da carga dramática que deveria receber.

Não é que a película deveria largar tudo e fazer um drama sobre Bond, mas é preciso botar fermento em certos conceitos para justificarem determinadas cenas, e o filme foge disso como o David Luiz foge da Alemanha: declarações soam vazias, reviravoltas passam batidas, a tensão perde o ônibus e não consegue chegar e momentos de perigo perdem força. A falta de química entre Daniel Craig e Léa Seydoux também não ajuda muito, assim como colocar o roteiro no piloto automático em alguns momentos (é 2015 e ainda ouvimos a frase “Porque sou sua única chance de continuar viva“). Casino Royale entendeu muito bem como a vulnerabilidade pode ser eficiente para construir uma conexão entre duas personagens, mas 007 Contra Spectre apela para a filosofia twitterística e prefere ficar só nas frases de efeito (o que não seria errado SE o filme ficasse só nessa abordagem, sem tentar criar um pouco mais de drama).

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Ao menos Sam Mendes dirige tudo com elegância (a sequência na casa da viúva é um curso técnico de fotografia), utilizando uma câmera mais sacolejante em momentos de “descoberta” (como o quarto escondido) para agregar um pouco de significado às cenas distribuídas pelo filme através de sorteio, aparentemente. Infelizmente a trilha de Thomas Newman, ainda que com músicas boas, a trilha é um yorkshire musical que precisa estar junto o tempo todo e raramente dá algum tempo de folga, o que a torna tão irritante quanto um yorkshire propriamente dito. E, com exceção de alguns planos na cena do helicópetro, os efeitos especiais são impecáveis.

Retomando alguns elementos característicos da franquia que não se mostravam tão presentes nos últimos filmes – um capanga com estética peculiare (unhas, no caso), a própria Spectre -, a produção tem um clima bem de encerramento mesmo. Inclusive, a aparição de um veículo “clássico” no final pode dar a entender que 007 vai voltar para uma abordagem menos “durona” e mais elegante, o que acabaria acontecendo cedo ou tarde. Só é uma pena que o esforço de James Bond, M, Q, Moneypenny e outros para acabar com a burocracia não consiga superar também o roteiro burocrático.

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